domingo, 7 de fevereiro de 2010

Taare Zameen Par: Every Child is Special (Como Estrelas na Terra: toda criança é especial)

Artistas, de uma maneira geral, conseguem captar a alma humana com mais transparência que nós, psicólogos/as. Filmes, romances, pinturas, fotografias mostram muito de personalidades, maneiras de viver, costumes sociais e familiares com muita profundidade. Uma de minhas professoras da faculdade ensinou-nos a perceber costumes através de romances e novelas. As novelas brasileiras, principalmente, trabalham com costumes recentes e formam opinião sobre questões sociais.

Obras de arte podem ser utilizadas por nós como instrumentos de acesso a questões que precisam ser trabalhadas na escola. Tenho muito interesse em filmes de curta metragem, porém nosso acesso a eles não é muito facilitada. Isto deve mudar com o u-Tube, mas confesso que tenho pouca familiaridade com este instrumento. Quanto aos de longa-metragem, é necessário muito tempo para trabalhá-los. Mesmo assim, são muito utilizados na formação de profissionais e nos debates entre os já formados em atuação.

Toda esta introdução foi criada para eu falar de um filme que trata de dificuldade de aprendizagem.

Trata-se de Taare Zameen Par: Every Child is Special, em português Como estrelas na Terra: Toda Criança é Especial. É um filme indiano primoroso. O filme não foi lançado ainda no Brasil e nem distribuído em DVD. Mas há quem se ocupe de trazer este filme em particular e outros obras indianas de igual porte. Tem sido divulgado no Brasil através de download, mas ainda não consegui o endereço.

Vamos ao filme. Ele mostra como uma criança normal pode ser atrapalhada por dificuldades motoras e disfunções no processamento de informações que prejudicam o processo de aquisição de leitura e escrita. Apesar de curiosa e alegre, a criança não é compreendida em suas dificuldades e não sabe como solucionar os problemas que os adultos lhe apontam. Entra em grande sofrimento, pois tudo que tenta como solução lhe rende mais problemas ainda. Como estrelas na Terra mostra esta questão escolar com grande sensibilidade e profundidade. As dificuldades enfrentadas pela família desorientada, assim como a escola costuma lidar com a situação e o principal sintoma da criança também têm lugar no filme.

Buscando o endereço para disponibilizar o filme aqui, encontrei um sítio que foi construído com o objetivo de trazer Como estrelas na Terra para os cinemas brasileiros. É elaborado pelo Sr. Ibirá Machado e deve ser visitado devido à riqueza de informações que disponibiliza. O sítio é

http://cinemaindiano.blogspot.com/

e traz detalhes dos atores, diretores, produtores, pólos de produção cinematográfica da Índia, filmes, propagandas.

Solicito que acessem a sinopse que o Ibirá escreveu, de modo a dar-lhe o crédito devido a seu esforço cultural. Em seu sítio poderão assinar um abaixo-assinado para trazer o filme para os cinemas brasileiros, além de contribuir com uma campanha de alimentação para crianças desfavorecidas da Índia. A primeira postagem fala do filme e a segunda é uma crítica que Ibirá escreveu sobre ele (esta acrescenta informações que melhoram a compreensão do filme).

http://cinemaindiano.blogspot.com/2008/06/taare-zameen-par.html
e
http://cinemaindiano.blogspot.com/2008/06/como-estrelas-na-terra.html

Enquanto procuro o endereço para baixar o filme, ajudemos o Ibirá em seu esforço de trazer essa fantástica obra para o Brasil, assinando o abaixo-assinado já referido. Conto com vocês!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Projeto de Lei 3512 de 2008

Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) de regulamentação da Psicopedagogia como profissão da Deputada Professora Raquel Teixeira. São oito artigos que indicam direitos dos profissionais que atuam em psicopedagogia e deveres também relacionados ao exercício da profissão. Falta os deveres da profissão, conforme apontou a relatora do PL na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, Deputada Gorete Pereira, em seu voto.

A justificativa para aprovação da lei versa sobre o fracasso escolar e seu magnitude apontada nas estatísticas da educação brasileira. O psicopedagogo é visto como o profissional que tem condições de resolver a situação. Como o PL é de legislatura anterior e foi resgatado pela referida deputada, ela menciona o primeiro autor, o então Deputado Barbosa Neto, e utiliza sua justificativa que aqui é apresentada em parte:

“A escola, que deveria ser local de promoção do desenvolvimento das potencialidades de todos os indivíduos, torna-se, para muitos, palco de fracassos ou de desenvolvimento insatisfatório e precário.

Esse quadro exige uma urgente revisão do projeto educacional brasileiro, de modo a melhorar a qualidade do que se ensina e de como se ensina; do que se aprende e de como se aprende. Essa situação só poderá ser enfrentada se o processo de aprendizagem for analisado sob uma perspectiva que considere não só o contexto social em que esta prática se dá, mas simultaneamente com a visão global da pessoa que aprende e de suas dificuldades nesse processo.

A resposta para tal desafio é a prática psicopedagógica. (sic) exercida por um profissional especializado, o Psicopedagogo, cuja atuação visa não apenas a sanar problemas de aprendizagem, considerando as características multidisciplinares da pessoa que aprende, buscando melhorar seu desempenho e aumentar suas potencialidades de aprendizagem.

Tendo adquirido conhecimentos multidisciplinares e manuseio de instrumentos psicopedagógicos específicos que lhes permitem uma atuação eficaz junto aos alunos, os Psicopedagogos são, hoje, os profissionais que apresentam as melhores condições de atuar na melhoria da forma de aprendizagem e na resolução dos problemas decorrentes desse processo.

Na relação com o aprendiz, o Psicopedagogo estabelece uma investigação cuidadosa, que permite levantar uma série de hipóteses indicadoras das estratégias capazes de criar a situação mais adequada para que a aprendizagem ocorra.”

Mesmo tendo estudado todo o PL para elaborar um parecer técnico a pedido do Conselho Regional de Psicologia da região 01, não identifiquei no documento as ações específicas deste profissional.

O campo de aprendizagem e seu estudo são objeto da psicologia. Não creio que haja discenso a respeito desta questão. Por que, então, ter lugar o chamado para outro profissional contribuir nela?

Analisando a justificativa de regulamentação temos a culpabilização do aluno por seu fracasso escolar, idéia já tão discutida e combatida pela psicologia escolar. É a criança que está no centro da problemática, aparentemente como vítima.

A expressão “exige uma urgente revisão do projeto educacional brasileiro” tem como resposta a criação de mais uma profissão. Um profissional vai resolver o problema que professores, pedagogo, gestores, pais, psicólogos, orientadores educacionais não conseguem resolver na escola e que especialistas sociólogos, antropólogos, pedagogos, psicólogos, filósofos, pesquisadores da educação não conseguem resolver nas secretarias municipais e estaduais de educação e ministério?

Este profissional é chamado a sanar os problemas de aprendizagem e melhorar o desenvolvimento e aumentar o potencial dos indivíduos na escola.

Este é o ponto que gostaria de chamar atenção.

É óbvio, para quem é realmente educador, que não é a entrada em cena de um novo ator, que mudará o roteiro da peça. Não acredito que um psicopedagogo na minha escola alterará a “produção” do fracasso escolar. Tenho trabalhado com pedagogas especialistas em psicopedagogia que, apesar de sua competência profissional, não sabem o que fazer em determinadas situações e, principalmente, não sabem lidar com o principal ator do processo ensino-aprendizagem, a saber o professor. Não conseguem expor inteligivelmente ao professor as questões que viram na relação do aluno com o objeto de saber. Os psicopedagogos já estão atuando e seu surgimento – na década de 90 – não provocou impacto algum nos índices de fracasso escolar.

O que mais me aflige é que problema de aprendizagem é assunto da Psicologia. Será que nós, psicólogos, temos alguma dúvida quanto a isto? Assim, questiono nossa atuação nas escolas e nas clínicas. O que estamos fazendo, ou deixando de fazer, que permite que um grupo (grande) de pessoas resolva fazer o nosso trabalho?

É justamente por ver tantos profissionais achando que podem fazer o nosso trabalho nas escolas que proporcionou a criação deste blog.

Nosso trabalho é muito importante, necessário e sério. Assim deve ser encarado e realizado junto aos demais profissionais da educação para que estes percebam nosso espaço e respeitem-nos. E o respeito refere-se a não tentar fazer o que é nosso e esperar nossa atuação correta. Não há como provocar isso apenas com palavras e textos escritos. Devemos atuar com a responsabilidade da estabilização da Psicologia Escolar enquanto profissão.

Nas escolas em que atuei, os demais educadores não sabem o que um psicólogo escolar faz. Esperam que façamos clínica dentro da escola. Quando digo que tal ação é vetado legalmente, eles caem em um vazio, não sabem quem devem encaminhar para mim e se assustam quando peço para entrar em suas classes.

Vejo que há espaço a ser ocupado e não estamos competentes o bastante para fazê-lo. Outros grupos também vêem o espaço e querem ocupá-lo.

Há também a questão de que as escolas, públicas e particulares, estão fechadas para nós. Com a desculpa de parcos recursos, não somos contratados. Creio que esta profissão não está estabelecida plenamente a ponto dos gestores não perceberem nossa importância. Nossa atuação profissional responsável, focada na construção desta área, embasada teoricamente, juntamente com o apoio do Conselho Federal de Psicologia e dos Conselhos Regionais poderão responder a comunidade educacional qual é o nosso papel nas escolas e na educação não sendo necessário mais ninguém para resolver os problemas de aprendizagem que têm solução nas escolas.

Reformas educacionais são necessárias sim, não com “novos” profissionais, mas com ações reais, fortes e impactantes desde o nível ministerial até as secretarias municipais e boas gestões administrativas escolares. Educação não é brincadeira.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

4000

Queridas leitoras e caros leitores!

Como sempre, a cada milhar de acessos, marco a ocorrência com uma postagem.
Mais uma vez, agradeço a frequência, o incentivo dos/as amigos/as, a visita de navegadores, de curiosos/as da área de educação e, principalmente, dos/as estudantes, profissionais e pesquisadores da Psicologia Escolar.

Reafirmo meu desejo e principal objetivo com este blog que é a discussão de temas típicos da área da Psicologia Escolar.

Minha penúltima postagem - uma lista dos livros que leio - tem como meta indicar quem são os autores que me influenciam. Isto porque quando pensamos e escrevemos, trazemos idéias de outras pessoas. Assim, os textos que escrevo sobre meu cotidiano na escola tem auxílio de multiplas fontes, inclusive orais, e muitas vezes é extremamente difícil distinguí-las. O meu compromisso ético resolve parte desta situação com esta postagem que, obviamente, será atualizada a cada término de leitura. Os textos mais relacionados com o nosso tema serão resenhados em postagens individualizadas, como tem sido feito. As demais, com uma mini resenha, como já pode ser lido na penúltima postagem.

Espero que meus/minhas seguidores/as continuem frequentando este blog, que as visitas sejam proveitosas, que meus textos sejam úteis a quem se dispõe a lê-los.
Informo ainda que neste mês de férias, minhas postagens estão menos frequentes devido a distância da minha musa inspiradora: a escola.

Muito obrigada pela presença!
Vicenza Capone